Estabilidade

Em quais situações existe garantia de emprego contra a dispensa?

· Por Cláudia Guimarães

Em resumo: A regra é a liberdade de dispensa, com pagamento das verbas correspondentes. As garantias são exceções previstas em lei ou em norma coletiva, e alcançam principalmente a gestante, o empregado acidentado, o representante da comissão interna de prevenção de acidentes, o dirigente sindical e, quando previsto em convenção, quem está próximo da aposentadoria.

Gestante

A garantia vai da confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. O direito não depende de a empresa ter sido comunicada previamente nem de a própria empregada saber do estado no momento da dispensa: o que importa é que a concepção tenha ocorrido na vigência do contrato, inclusive durante o aviso prévio.

Acidente do trabalho e doença ocupacional

O empregado que sofre acidente do trabalho tem garantia de doze meses após a cessação do auxílio-doença acidentário. A regra pressupõe, em geral, o afastamento superior a quinze dias e o recebimento do benefício acidentário — com a exceção, consolidada em súmula, da doença constatada após a dispensa, hipótese em que basta o nexo com o trabalho.

Cipeiro e dirigente sindical

O empregado eleito para cargo de direção de comissão interna de prevenção de acidentes tem garantia desde o registro da candidatura até um ano após o fim do mandato. O dirigente sindical tem proteção equivalente, com previsão própria na CLT, ambas voltadas a preservar o exercício da função representativa.

Garantias que vêm da norma coletiva

Muitas garantias não estão na lei e sim na convenção da categoria: proximidade da aposentadoria, retorno de afastamento por doença comum, período pós-férias e períodos de recuperação econômica são exemplos frequentes. Elas valem apenas na vigência do instrumento e com os requisitos que ele estabelece.

Garantia não é impossibilidade de dispensa

Estabilidade não impede a dispensa por justa causa, que permanece possível quando configurada a falta grave. Também não alcança, em regra, o término do contrato por prazo determinado no seu termo natural, salvo as exceções construídas para situações específicas.

O que acontece quando a garantia é descumprida

A consequência usual é a reintegração ao emprego, com o pagamento dos salários do período de afastamento. Quando o período de garantia já se esgotou ou a reintegração se mostra inviável, converte-se em indenização correspondente ao tempo remanescente da estabilidade.

O que costuma ser necessário verificar

  • Data exata da dispensa e do fato gerador da garantia
  • Documentos médicos e do benefício previdenciário
  • Registro de candidatura ou de eleição, quando aplicável
  • Convenção coletiva vigente na data do desligamento
  • Termo de rescisão e motivo declarado
  • Comunicações trocadas com a empresa no período

Conteúdo informativo, que não constitui consulta jurídica e não substitui a análise individual de um caso concreto. Cada situação depende dos fatos e das provas disponíveis.

Cláudia Guimarães
Autoria Cláudia Guimarães

Advogada com 24 anos de experiência, inscrita na OAB/SP sob o nº 208.206, sócia responsável pela área trabalhista do Guimarães & Ruggiero Advogados. Coautora do livro “Trabalho, Direito e Covid em 2019” (Editora Dialética). Ver trajetória completa

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