Setor bancário

As comissões por venda de produtos integram o salário do bancário?

· Por Cláudia Guimarães

Em resumo: Em regra sim. Valores pagos com habitualidade em contraprestação ao trabalho, como comissões por venda de produtos e campanhas de incentivo pagas de forma reiterada, tendem a ter natureza salarial. Sendo salariais, integram a base de cálculo das demais verbas do contrato, inclusive horas extras, férias, décimo terceiro e FGTS.

O que define a natureza da parcela

O nome atribuído ao pagamento importa menos do que a sua causa e a sua frequência. Valor pago em razão do trabalho prestado e com habitualidade tende a ser tratado como salário, ainda que a empresa o denomine prêmio, incentivo ou bonificação. Pagamentos verdadeiramente eventuais e desvinculados do desempenho seguem lógica distinta.

Em que verbas reflete

Reconhecida a natureza salarial, a parcela integra a base de cálculo do repouso semanal remunerado, das horas extras, do décimo terceiro, das férias com o terço, do aviso prévio e dos depósitos de FGTS. Quando a integração não é feita, surgem diferenças em todas essas rubricas ao longo de todo o período em que houve pagamento.

O problema das regras que mudam

É comum que os critérios de apuração da parcela variável sejam definidos em campanhas internas com regras próprias, alteradas a cada ciclo. Isso dificulta a conferência do valor devido e costuma ser o ponto de partida da discussão: sem os critérios documentados, não é possível verificar se o pagamento correspondeu ao que foi produzido.

Estorno de comissão

O cancelamento posterior de uma operação levanta a questão do estorno da comissão já paga. A prática precisa de fundamento e não pode transferir ao empregado o risco da atividade, sobretudo quando o cancelamento decorre de fato alheio à sua conduta. Estornos automáticos e generalizados costumam ser questionados.

Supressão da parcela

Quando a comissão é paga com habitualidade por período prolongado e depois deixa de existir, discute-se a licitude da supressão e os seus efeitos sobre a remuneração já consolidada. O exame passa pelo tempo de pagamento, pela forma como a mudança foi comunicada e pelo que previa a norma aplicável.

O que costuma ser necessário

  • Holerites de todo o período, com as rubricas variáveis
  • Regulamentos das campanhas e critérios de apuração
  • Relatórios de produção e vendas realizadas
  • Registros de estornos e a sua justificativa
  • Norma coletiva que trate da parcela variável

Conteúdo informativo, que não constitui consulta jurídica e não substitui a análise individual de um caso concreto. Cada situação depende dos fatos e das provas disponíveis.

Cláudia Guimarães
Autoria Cláudia Guimarães

Advogada com 24 anos de experiência, inscrita na OAB/SP sob o nº 208.206, sócia responsável pela área trabalhista do Guimarães & Ruggiero Advogados. Coautora do livro “Trabalho, Direito e Covid em 2019” (Editora Dialética). Ver trajetória completa

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