Direito societário

Como funciona a saída de um sócio da sociedade?

· Por Cláudia Guimarães

Em resumo: Há três caminhos: a cessão das quotas a outro sócio ou a terceiro, a retirada por iniciativa do próprio sócio e a exclusão por deliberação dos demais. Na sociedade por prazo indeterminado, o sócio pode retirar-se mediante notificação aos demais com antecedência prevista em lei, e a sua participação é apurada em haveres.

Cessão de quotas

É o caminho mais simples quando há acordo: o sócio vende a sua participação a outro sócio ou a terceiro, observado o direito de preferência e as regras de admissão previstas no contrato social. Resolve-se por alteração contratual, sem necessidade de apuração de haveres.

Retirada por iniciativa do sócio

Na sociedade por prazo indeterminado, o sócio pode retirar-se mediante notificação aos demais com a antecedência prevista em lei. Na sociedade por prazo determinado, a retirada depende de justa causa demonstrada judicialmente. Exercido o direito, abre-se a apuração do valor da participação.

Exclusão do sócio

Os demais podem excluir o sócio que ponha em risco a continuidade da empresa por atos de inegável gravidade, observado o procedimento previsto em lei e no contrato, com direito de defesa. Também há hipótese de exclusão do sócio remisso, aquele que não integraliza a sua parte do capital.

Apuração de haveres

É a etapa que define quanto o sócio que sai vai receber. Aplica-se o critério previsto no contrato social; na ausência dele, a lei processual estabelece parâmetros, com data-base definida conforme a forma de saída e avaliação em balanço de determinação. É onde se concentram as disputas mais longas.

O que a data-base muda

O momento considerado para a avaliação altera significativamente o resultado, sobretudo em empresas com resultado variável. Retirada, exclusão e falecimento têm marcos distintos, e a definição desse ponto costuma ser tão disputada quanto o próprio método de avaliação.

O que continua depois da saída

A saída não encerra automaticamente as responsabilidades anteriores. O ex-sócio pode continuar respondendo, por período determinado, por obrigações da sociedade relativas ao tempo em que integrava o quadro, o que torna relevante a averbação da alteração e o registro claro da data de saída.

O que costuma ser necessário

  • Contrato social vigente e suas alterações
  • Cláusula de apuração de haveres, se existir
  • Notificação de retirada, com data e comprovação
  • Balanços e demonstrações do período
  • Levantamento de garantias pessoais prestadas pelo sócio
  • Registro da alteração no órgão competente

Conteúdo informativo, que não constitui consulta jurídica e não substitui a análise individual de um caso concreto. Cada situação depende dos fatos e das provas disponíveis.

Cláudia Guimarães
Autoria Cláudia Guimarães

Advogada com 24 anos de experiência, inscrita na OAB/SP sob o nº 208.206, sócia responsável pela área trabalhista do Guimarães & Ruggiero Advogados. Coautora do livro “Trabalho, Direito e Covid em 2019” (Editora Dialética). Ver trajetória completa

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